Chronicles

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Na praia do ouvidor - SC

sábado, 13 de junho de 2015

São Francisco do Sul - SC - Forte Marechal Luz

Quando frequentei a Ilha de São Francisco do Sul - SC no início da década de 90, me mostraram o Forte Marechal Luz que segundo disseram tinha uma bonita praia que era aberta ao público e hospedagem para militares. Passei na frente mas não entrei.
O tempo passou e nunca mais voltei a São Francisco e suas praias, Ubatuba, Enseada, Itaguaçu, Capri, etc.
Agora morando perto, marquei uma viagem para finalmente conhecer o forte.



Decidi ir de moto e ficar do dia 4 de junho até 7 de junho de 2015. A viagem seria de 199 km aproximadamente saindo de Curitiba, seguindo a BR-101 até Joinville e entrando para São Francisco do Sul.
Uma curiosidade sobre a preparação da viagem é que o Hotel de Trânsito do Exército pede que se leve roupa de cama e banho e disponibiliza estrutura de cozinha nos apartamentos e casas. Isto me fez preparar a motocicleta para transportar mais carga que o usual (podemos dizer que isso foi um acantonamento). A solução foi o acondicionamento de material num saco estanque da Sea to Summit modelo Big river de 35 l. Devido a meu histórico de viagens possuo vários modelos cada um já destinado a parte de meu equipamento.
A vigem foi tranquila apesar do feriado de Corpus Christi e logo cheguei ao forte. Logo na entrada uma alameda com os canhões de costa e as casas, apartamentos e o restaurante terceirizado. Em frente a praia e o canal de entrada dos portos.

Os canhões Armstrong Withworth 152,4 mm de 1919



A vista da janela do Restaurante do Forte




Fui logo tomar o quarto e descarregar a bagagem. O apartamento que me foi destinado era o último do segundo andar do último prédio à direita da praia, com uma escadaria que dava direto na areia.
Caminhei até o restaurante e almocei em uma mesa de frente para o canal de entrada dos portos, de onde se podia acompanhar o trânsito dos navios. O restaurante era simples, bem típico de beira de praia,  mas a comida estava boa (peixe logicamente).

O prédio onde ficava meu apaartamento

 vista da varanda do quarto





Mais tarde fiz mais algumas fotos da praia deixando para o dia seguinte a visita ao forte propriamente dito, voltando com a noite fechada para o quarto Uma curiosidade sobre a noite, notei algumas estrelas bastante brilhantes no céu e por curiosidades usei um app de observação do céu chamado Night sky. Descobri que eram na verdade Vênus, Júpiter e Saturno visíveis no mesmo instante.





Coruja buraqueira


Na manhã seguinte fiz uma caminhada na praia, fazendo mais fotos. Imaginei que não tinha chegado a seu final.
Resolvi almoçar fora do forte para conhecer o local. A indicação que tive foi de um Restaurante do Rui. Um lugar novamente simples mas com um peixe delicioso há menos de 1 km do forte.
Retornei para o hotel e fui para a parte alta do forte.Minha tentativa foi de subir a estrada de moto, porém se torna perigoso já que foi espalhada brita em uma parte da estrada devido a queda de uma barreira. Restou subir a pé. Fica o registro que enfrentei também 6 horas de falta de luz neste dia.
Após 1,5 km, chega-se a uma estrutura que data 18 de maio de 1909, quando o forte começou a ser construído e que foi desativada em 09 de novembro de 1977. Os embasamentos dos canhões dominam a entrada dos portos e tem uma vista sensacional. A meia estrela das trincheiras está preservada como um museu mostrando como era a construção da época e alguns materiais usados.



O canal de entrada dos portos visto  do forte

A meia estrela de trincheiras



De lá consegui ter uma noção exata da praia do forte, composta por uma restinga decorrente da deposição de areia pelas ondas e formando uma laguna atrás desta margeada por um manguezal preservado.


Desci do forte e fui fazer novas fotografias na praia aproveitando o por do sol.




Na manhã do terceiro dia caminhei a té o final da restinga para ver a laguna. A restinga termina de forma abrupta em um canal com uma relativa profundidade variável de acordo com a maré.
Nela vi centenas de alevinos e até um pequeno linguado. Muitas aves ficam nesta laguna para se alimentar dos peixes, assim como caranguejos em suas margens.

A entrada da laguna







Após esta caminhada fui almoçar , mas acabei indo as praias para mudar de restaurante. Acabei almoçando no restaurante Caiçara em Itaguaçu, de frente para a praia.




De volta ao forte mais fotos ao por do sol e da praia para encerrar o dia e me preparar para a viagem de volta.
A direita da praia

A laguna ao fim da tarde





Na manhã do quarto dia arrumei as coisas, prendi na moto e voltei para Curitiba, tomei o café na estrada. Mesmo com o movimento do feriado a viagem foi bem tranquila.
Esta viagem acabou sendo importante não só pelos motivos usuais mas para testar e pensar em futuras soluções para o transporte de carga em uma viagem de moto em condições de acantonamento ou acampamento.O que planejei e levei funcionou bem, mas cabe o pensamento em alguns materiais mais compactos para uma próxima vez e melhorias na logística das minhas viagens.




" Eu sou atormentado por uma 
coceira perpétua pelo remoto.
Amo navegar mares proibidos."
H. Melville.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Pirenópolis - GO 1- A cidade

A primeira vez que ouvi falar de Pirenópolis - GO foi numa revista da Azul linha Aéreas, com uma reportagem sobre uma pousada chamada Cavaleiro dos Pirineus. Achei a pousada fantástica pelas fotos. 
Aos poucos fui me inteirando de como era a cidade e suas atrações. Descobri que era uma área com muitas cachoeiras e um dos maiores destinos para mountain-bike no planalto central. Existia também um museu chamado Museu Rodas do Tempo com mais de 100 bicicletas e mesmo número de motocicletas. Por fim poucas semanas antes de ir achei as referências sobre a "Cidade de Pedra".
Acabei por programar minha viagem aproveitando uma ida a Brasília à trabalho. Iria na sexta-feira 15 de maio de 2015 e retornaria dia 17 de maio. Aluguei um carro em Brasília para facilitar meu deslocamento e o aproveitei na viagem. A distância a percorrer seria de 146 km.
No meu modelo de viagem sozinho, fiz contato com uma pousada não tão charmosa, já que nesta situação não me interessaria muita coisa, apenas um quarto confortável no fim dos passeios. Escolhi a Pousada Aconchego dos Pirineus, aparentemente teria o que precisava por um preço adequado. Procuraria um guia para a Cidade de Pedra quando chegasse a cidade uma vez que não havia nenhuma indicação nos sites que pesquisei.
As 13 h de 15 de maio saí de Brasília conforme planejado e tomei a estrada para Pirenópolis. A estrada é boa sem grandes problemas, passando por Cocalzinho de Goiás e Corumbá de Goiás.



Uma dica aqui é prestar atenção pois na estrada existe uma cachoeira chamada Salto Corumbá, mais visível no sentido Pirenópolis-Cocalzinho.

Salto Corumbá
Existe uma parada com um bar de onde pode-se observá-lo. Segundo ouvi existe uma queda inferior que foi feita por uma firma de garimpo.
Chegando a Pirenópolis logo se vê um local para orientação a turistas no próprio portal da cidade. Lá consegui um mapa das atrações da cidade e indicação de guias.
Fui para a pousada e fiz o check-in. Lugar rústico com um quarto confortável porém desprovido de luxo (fica a referência para o colchão com programas de massagem, o que aproveitei bem depois dos passeios). Compensando esta falta de luxo, os donos foram de uma simpatia e cuidado sem igual, me deixando totalmente a vontade. Acabei por descobrir que a pousada era um negócio familiar e eles estavam melhorando os itens dos quartos. A pousada ficava fora do centro o que pode-se dizer que era uma desvantagem devido ao deslocamento necessário para os restaurantes, porém muito mais silenciosa.





A partir daí comecei a tentar combinar a ida a Cidade de pedra, que era meu principal objetivo. A primeira agência que contactei não foi adequada. A responsável me desestimulou a ir com o carro, dizendo que este não passaria pela estrada e que os guias não gostavam de levar apenas uma pessoa por "questões de segurança", se acontecesse algo com o guiado haveria dificuldades. Pedi para verificar a possibilidade de obter transporte e deixei telefone para contato. Chateado com os impecílios colocados liguei para outro guia, chamado Cristiano. Ele não colocou nenhum impecílio, mas disse que talvez tivéssemos que aumentar a caminhada devido ao carro ficar mais distante. Quanto a questão de eu estar sozinho, disse a ele que estava "acostumado "a caminhadas e não teria problemas comigo. A previsão de caminhada seria de 10 km sem estruturas de apoio. A Cidade de Pedra ficava há 50 km do trevo de Pirenópolis.
Ao final da tarde fui para a cidade para reabastecer o carro e comprar água mineral e o lanche de trilha. Aqui fica uma observação e dica. A maioria dos postos de Pirenópolis não estava aceitando cartões de crédito. O posto que encontrei que aceitava esta forma de pagamento era no trevo de entrada da cidade, chamado Posto Sauro. Lá também comprei água e mantimentos.
Segui para a cidade para fazer fotos e jantar. Minha impressão inicial de Pirenópolis foi de uma cidade muito feia em sua parte alta onde se concentra o comércio ligado a vida vegetativa da cidade, mas a medida que vamos chegando ao centro histórico próximo ao rio das almas, que corta a cidade, ela fica muito bonita. Ruas de pedra, várias igrejas e velhos casarões muito bem tratados compõe um belo visual.
Inúmeras lojas de artesanato, produtos do cerrado e antiquários lado a lado pelas ruas. Fui até a margem do Rio das Almas para ver as pontes que tinha achado bonitas no centro de informações.






Ponte nova

O rio da almas sob a ponte nova

Ponte pênsil


Em seguida cheguei a rua do Rosário com seus restaurantes cujas mesas invadem a rua (o trânsito de carros é proibido). 
Rua do Rosário

Fiz mais algumas fotos do centro e de igrejas e fui escolher um restaurante para jantar. 

Igreja Matriz Na. Sra. do Rosário



Já estava escurecendo  e todos colocam velas nas mesas externas criando um bonito efeito.

A rua vista de uma das mesas externas do Aravinda

Escolhi o Aravinda restaurante. Apesar de ficar nas mesas externas ouvi a música ao vivo de seu interior. Comi um filé acompanhado por um vinho. 
Depois do jantar dei uma volta pela cidade. Me chamou a atenção uma loja especializada em castiçais e luminárias de vidro, também com exposição na rua.

Voltei a pousada e fui dormir. Tinha combinado de encontrar o guia as 8:00 h no portal da cidade.

Devido a grande quantidade de detalhes dos passeios e da cidade encerrarei esta postagem por aqui para que não fique muito longa e iniciarei outras com o ocorrido nos dias subsequentes.





sábado, 2 de maio de 2015

Salto do Yucumã - RS

A viagem ao Salto do Yucumã era um sonho antigo, para a qual eu já tinha feito pelo menos 3 planejamentos.Acabei fazendo a viagem em 19 de abril de 2013.
Localizado no rio Uruguai ao noroeste do RS, bem próximo a divisa com SC, na fronteira entre Brasil e Argentina o Salto do Yucumã é considerado o maior salto longitudinal do mundo.
O planejamento neste caso era fundamental. Devido a distância não seria uma incursão (bate e volta), seria necessário permanecer na região outro fator a ser levado em consideração é a época a se visitar o Salto. Para se apreciar totalmente sua magnitude é necessário o rio estar baixo. Nas informações que levantei indicavam a melhor época para se conhecer o Salto, na seca, entre novembro e março mas não se explicava o por que.
Sobre o planejamento, o Salto fica próximo a duas cidades Tenente Portela - RS e Derrubadas - RS. Das duas Tenente Portela aparentemente oferecia melhor estrutura. Em Derrubadas só existia um Camping e em Tenente Portela um hotel chamado Aracê.
Na época consegui pouca informação sobre o Parque Estadual do Turvo onde se localiza o Salto. Então não sabia quais as distâncias a serem percorridas e quanto tempo levaria.
Estes fatos me levaram a pedir a nutricionista do Hospital de Guarnição de Santa Maria, o qual eu dirigia na época, Dra. Tiffany Hautrive a desenvolver um cardápio para uma trilha longa inspirado na preparação descrita no livro Cem dias entre céu e mar de Amyr Klink. Ela preparou conforme refeição e com o número de calorias baseado no que encontraria no comércio local. Quando embalei e etiquetei cada refeição fiquei surpreso com o pequeno volume de cada uma.
Em seguida o roteiro da viagem. Tomaria a estrada de Santa Maria em direção a Cruz Alta, Panambi  e Palmeira das Missões, pela BR-158. De Palmeira das Missões pegando à esquerda na RS-330 em direção a Dois irmãos da Missões, Miraguai e finalmente Tenente Portela, num total de 315 km.


Entre Palmeira da Missões e Miraguai existe um trecho de aproximadamente 20 km de terra passando por Dois Irmãos das Missões, único ponto para reabastecimento entre Palmeira e Miraguai. Apesar de ser de terra a estrada é boa e tem paisagens fantásticas, como pontes e campos de girassóis. Depois de  voltar ao asfalto, esta estrada passa pelo meio de uma aldeia indígena.






Chegando a Tenente Portela fui logo para o Hotel deixar minha bagagem. O hotel é simples, ornamentado com motivos indígenas, mas bem confortável e principalmente com funcionários bastante simpáticos. Jantei na cidade e dormi cedo para ir para o salto cedo.
Após o café fiz o meu check-out e peguei a estrada para Derrubadas e o Parque Estadual do Turvo. Estrada bonita com muita neblina devido a evaporação sobre o rio Uruguai.



Derrubadas me impressionou muito bem, pelo menos por onde passei, muito limpa e bem cuidada, questionei se deveria ter ficado mesmo em Tenente Portela.
O Parque extremamente bem tratado, com funcionários muito simpáticos (terceirizados) dando orientações precisas.








Da entrada segue-se por uma estrada de terra até uma clareira que apresenta as facilidades do parque, banheiros e uma área com mesas, não há uma cantina ou venda de água e alimentos.
Na estrada vi as primeiras aves de rapina que são bem comuns no parque (não havia referência a isso mas o Yucumã é um ponto excelente para fotografia de aves de rapina, com algumas espécies raras).

Não reconheci a espécie. Achei a foto na neblina bem legal,
mas deu trabalho para chegar perto dele




Da clareira segue-se a pé por um trilha de aproximadamente 1 km até o rio. Aí houve a decepção. Existem duas hidroelétricas acima no rio em SC e a noite elas sagram um grande volume de água o que fora da época da seca leva a submersão do salto que deveria te 18 metros de queda e o Uruguai sai de sua calha inundando as margens.
O Uruguai cheio tomando as margens e o salto totalmente submerso
Restou esperar que as águas baixassem durante o dia. Fiquei conversando com um guarda do Parque que me explicou as razões de isto acontecer e me indicou mais duas trilhas, sendo que uma quis me acompanhar pois havia encontrado vestígios da passagem de uma onça na semana anterior. Nesta trilha existe uma pequena cachoeira.




E mais uma queda acima desta

A outra trilha levava a uma margem do Uruguai onde se vê a grande curva do rio antes do salto.
De resto passei o dia no carro lendo e comendo as refeições preparadas esperando que as águas descessem. A diminuição de nível do Uruguai ocorreu de forma lenta e ao final do dia o salto devia estar com uns 2 a 3 metros de altura. Um fato curioso que ocorre quando as águas baixam é a quantidade de borboletas que se juntam, buscando os sais deixados nas pedras e na vegetação.
Ao fim da tarde estava com as calças arregaçadas e descalço andando pelas barrancas do Uruguai. Tentando chegar o mais próximo da calha original do rio.


Minhas fotos ficaram prejudicadas por isso, mas ainda conseguem mostrar a extensão do salto.











Ao final do dia fiz alguns pequenos videos para mostrar a extensão do salto.




Fiquei quase até o fechamento do parque, decidido a voltar ao hotel e retornar a Santa Maria no domingo.
Fui imediatamente bem recebido de volta no Aracê e a noite fui novamente a cidade jantar.
No dia seguinte peguei a estrada para Santa Maria, existe uma dificuldade de reabastecimento no domingo de manhã em Tenente Portela. Muitos postos fechados, consegui encher o tanque de meu carro num posto em uma estrada próxima. Daí o caminho inverso para casa.

Algumas dicas para este roteiro: 
Embora esta viagem tenha deixado a desejar do ponto de vista turístico. Foi de extrema importância sobre as lições aprendidas.
Por mais que tenha lido sobre o Salto, em nenhum lugar foi mencionado a ação das hidro-elétricas acima deste. Portanto a pesquisa de experiências anteriores é fundamental.
Mudei alguns conceitos sobre como me preparar para uma situação destas. Estava certo em levar alimentação e água mas muita coisa mudou em meu equipamento a partir daí.

Água e alimentação são fundamentais já que existe dificuldade em se obter no parque.
Filtro solar nem precisava falar.
A tarde é o melhor horário para se ver o Salto, evitando a sangria da hidro-elétricas. Procurem ir na época da seca!
O camping de Derrubadas parece ter uma boa estrutura, inclusive com chalés, embora o Aracê tenha sido muito bom como ponto de apoio, com restaurantes próximos.
Atenção para a questão combustível.

Informações de contato:
Hotel Aracê - Tenente Portela - RS
Balneário Parque das Fontes - Derrubadas - RS