Chronicles

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Na praia do ouvidor - SC

domingo, 30 de agosto de 2015

São Miguel das Missões - RS (ruínas de São Miguel)

Em 2003 fui até São Miguel da Missões conhecer as ruínas que existem na cidade. São consideradas as mais bem preservadas no lado brasileiro, do período das Reduções Jesuítas (missões). Fiz poucas fotos na época.
Desde 2013 estava pensando em voltar para fazer novas fotografias. Ao contrário da maioria de meus roteiros, São Miguel das Missões é um espaço urbano e não natural cuja principal atração são as ruínas da igreja de São Miguel Arcanjo.
Programei uma viagem aproveitando para ir a Santa Maria - RS, já que ficava próximo, cumprindo a promessa de retornar ao meu antigo hospital para ver o andamento de projetos deixados e rever os muitos amigos.
Escolhi o caminho que conhecia melhor, pela BR-277 em direção a Palmeira, São Mateus do Sul, General Carneiro e União da Vitória, chegando ao Vale do Contestado em SC (Guerra do Contestado 1912-16) com seus bonitos campos, propriedades rurais e o parque eólico.
Atravessar Rio Uruguai em direção a Erechim, Passo Fundo, Cruz Alta e finalmente Santa Maria. Um trajeto de 840 km.
Excluindo a parte de Santa Maria-RS, deve-se seguir de  Cruz Alta pela RS-342 em direção a Ijuí e passando por Santo Ângelo, logo se toma uma estrada perpendicular que dá acesso a São Miguel das Missões.



Um pouco da história: Por volta de 1609 os jesuítas começaram a fundar aldeamentos para a evangelização dos Guaranis, chamados de " Reduções". Ocupavam territórios onde hoje é o Paraguai, Argentina e Brasil. Originalmente as Reduções hoje em território brasileiro, pertenciam a Espanha e os índios tratados como súditos espanhóis, já os portugueses os escravizavam se tivessem a oportunidade.
Em 13 de janeiro de 1750 é assinado o Tratado de Madrid que troca as terras espanholas à leste do rio Uruguai pela colônia de Sacramento, portuguesa, no estuário do Prata. Os habitantes das 7 reduções da margem leste deverão ser relocados.
Após várias tentativas dos jesuítas para evitar o conflito os guaranis se revoltam liderados por Sepé Tiaraju e tem início a Guerra Guaranítica (1750-1756) que termina com a derrota dos índios na batalha de Caiboaté onde um exército misto Espanhol/Português mata 1511 guaranis perdendo apenas 4 europeus.


Cheguei em São Miguel das Missões em 11/07/15. O portal da cidade é muito bonito, com clara referência a jesuítas e guaranis.






Segui para a pousada para deixar a bagagem. O local era bem ao lado das ruínas, bastante tranquila e agradável, as alas dos quartos em forma de Y se comunicam com as outras instalações por passarelas cobertas entremeadas de jardins. A piscina era bonita, mas sem aquecimento, impossível de se usar nesta época do ano. O pessoal da pousada foi bastante solicito e eficiente em indicar restaurantes na cidade






Em seguida fui as ruínas para aproveitar o fim da manhã. O parque fecha de 12 as 14 h. Foi uma rápida passada para as primeiras fotos, almoçar e planejar o resto da tarde, retornando após a reabertura.




São Miguel é um daqueles lugares que você pode fazer milhares de fotografias em cenas diferentes dentro do seu espaço. Muitas muralhas e fundações foram escavadas ao lado da belíssima igreja de São Miguel Arcanjo.












Muito interessante é que algumas muralhas foram reclamadas pela natureza, tendo árvores incorporadas.



Integra também a área das ruínas um pequeno museu com várias peças como pias batismais, imagens, sinos e outros itens do período jesuítico, que foram recuperados.







A noite retornei ara o show de luz e som que acontece todo sábado a noite as 20:00 h. Embora já o tivesse visto em 2002, a oportunidade de fazer fotos noturnas era ótima.
O show consiste em um  diálogo fictício entre a terra e as ruínas tentando contar a história (romanceada) aos estranhos ali presentes. Com um bonito jogo de luzes vai se contando a historia das reduções, até o fim da guerra Guaranítica, "invocando" personagens do passado como Sepé Tiaraju e os comandantes do exército espanhol/português.






Após o show jantei na cidade e retornei ao hotel. No dia seguinte, 12 de julho de 2015, após o café, fiz o caminho de volta com uma parada em Erechim-RS para descansar e no próximo dia fui para Curitiba.


Dicas para este roteiro:
O parque fecha de 12 as 14 h e encerra as atividades as 18 h.
Os shows acontecem aos sábados à noite as 20:00 h ao ar livre, costuma ser frio.

Informações para contato:
Pousada das Missões  Rua São Nicolau, 601, centro. São Miguel das Missões - RS.  tel. 55 3381-1202.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Corupá - SC

Há aproximadamente 6 meses atrás um colega de trabalho me falou pela primeira vez de Corupá. Sabendo que eu gostava de fotografia e trilhas ele me deu alguns folders sobre a cidade e hotéis, o principal atrativo da cidade era uma série de cachoeiras, segundo ouvi dizer são mais de 80.
No dia 3 de abril de 2015 fui para Corupá. Fiz a reserva prévia na Pousada Vila ecológica.
O roteiro da viagem foi o mais longo, o escolhi baseado na melhor estrada e maior número de postos de gasolina. Saindo de Curitiba em direção a Joinville em seguida pegando a estrada para Guaramirim e Jaraguá do sul. Corupá fica a poucos km a frente. Estrada ótima sem problemas.


Corupá é uma cidade pequena, colônia Bávara, fundada com o nome de Hansa-Humboldt e que como tantas outras cidades brasileiras de origem alemã, mudou de nome em 1944 para Corupá. Sua história está ligada a um bávaro de nome Andreas Linzmeyer, que pelo que entendi foi o responsável por sua fundação.


Cidade bem organizada e limpa com uma população bastante simpática. Me passou a impressão de ser uma cidade onde muitas pessoas tem casas para passar o fim de semana.
A cidade é cortada por uma ferrovia.


Quando procurei algum lugar para almoçar, vi um pub ao lado de um posto de gasolina e resolvi que iria lá de noite para ver como era. Tive alguma dificuldade para achar alguns lugar para almoçar, por tradição não como carne na sexta-feira santa. Acabei parando em uma padaria onde fiz um lanche.
Após este almoço fui para a pousada descansar e pegar orientações sobre a trilha das cachoeiras.
A pousada era muito simples, e deixou a desejar em alguns itens mas o ponto positivo foi novamente a simpatia dos funcionários. Um destes itens negativos foi o fato dela estar fechada na hora que cheguei, sendo necessário esperar os funcionários chegarem para me receber e me foi entregue uma chave para que eu pudesse entrar a noite.

A noite sai a pé pela cidade até o pub que tinha visto. Durante a caminhada é que notei a igreja da cidade que valeria a pena ser fotografada. Continuando a caminhada passei pela praça da cidade e comecei a notar o barulho do rio Humboldt paralelo ao caminho que seguia.
Cheguei ao posto de gasolina e entrei no pub, chamava-se Cheers. O ambiente era extremamente aconchegante e muito bem montado.



Pedi de saída uma cerveja Guiness e perguntei ao garçom, que também foi bem atencioso, se haveria algum peixe no cardápio. Para meu espanto ele sugeriu uma sequência de frutos do mar especial para o dia, e quando me mostrou do que se compunha fiquei com dúvidas se iria conseguir comer tudo...
Depois de pastéis de camarão, ostras gratinadas, anéis de lula, peixe empanado, camarão à milanesa, espetinho de camarão à grega e bobó de camarão, abri mão da paella e da massa com frutos do mar. Voltei a pousada me arrastando.
No dia seguinte tomei café na pousada e segui para a rota das cachoeiras. 15 km de estrada de terra para chegar ao parque. Nesta estrada parei no comércio para pegar água e descobri que não são vendidos os ingressos na entrada do parque, sendo necessário adquirí-los antes no comércio local ( o valor no momento de minha viagem era de R$ 10,00). O horário de funcionamento do parque é de 7:30 as 17 h.
Chegando ao parque recebi um pequeno mapa na guarita com o nome e a disposição das 14 cachoeiras (!!!) que o Rio Novo forma na propriedade. Muito organizado e com facilidades como bar, banheiros e um centro de visitantes o parque é mantido por uma empresa privada (Mombasa reflorestamentos S.A.).
Moto deixada no estacionamento, equipei para a caminhada.
Bom, vou me permitir divagar um pouco sobre o início. Não costumo colocar fones de ouvido em trilha para manter todos os sentidos focados na caminhada, mas no caminho do centro de visitantes até a primeira cachoeira me permiti desta vez ouvir a música Life da trilha sonora do filme Prometheus. Uma memória da primeira caminhada que fiz neste modelo em Nova Esperança do Sul - RS. Para mim esta música tem tudo a ver com paisagens e cachoeiras.
Após a chegada a primeira cachoeira, a cachoeira do suspiro, encerrada a música, fotografada e iniciada a caminhada relativamente pesada (dificuldade pequena/média) montanha acima.


cachoeira do suspiro

Cachoeira da banheira



Cachoeira dos três patamares


Cachoeira do repouso



Cachoeira do remanso grande

Cachoeira do remanso grande - outra vista


Cachoeira da confluência I


Cachoeira da confluência II



Cachoeira da pousada do café



A partir daí a trilha vai serpenteando pelas encostas, passando por pontes pênseis, escadas, tablados e picadas que vão de 265 m de altitude medidos pelo altímetro do meu Suunto, na primeira cachoeira até 615 m na última, a trilha tem 2900 m de comprimento. Existe uma indicação no meio da trilha informando que a partir daquele ponto não se deve passar a partir das 16 h. o que é compreensivo uma vez que apesar da dificuldade média, no escuro seria perigoso segui-la.




Cachoeira das corredeiras

Cachoeira das corredeiras

Cachoeira do tombo
Cachoeira do palmito


Cachoeira da surpresa



A mata em si já é algo espetacular., já que encontra-se preservada.




A cachoeira final, chamada de Salto Grande é a maior da série com seus 120 metros de queda, o que vale chegar ao fim da trilha.

Salto grande


A partir daí o retorno pela mesma trilha a té o centro de visitantes. Devido ao avançado da hora, ao cansaço e as poucas opções de local para alimentação acabei por não fotografar o seminário e a igreja, fica para uma próxima vez. Retornei ao hotel para descansar.


A noite voltei ao Cheers para tomar uma cerveja e fazer anotações a respeito da viagem. Nesta noite conheci o Rafael e a Roberta, os donos do pub. Extremamente simpáticos, ele inclusive preocupado se eu não tinha gostado do cardápio da véspera uma vez que não comi tudo que estava previsto. Acabamos conversando um longo tempo. Retornei ao hotel e no dia seguinte fiz a viagem de retorno a Curitiba seguindo aproximadamente o mesmo caminho da ida..

Fica como uma homenagem a este simpático casal que tão bem me acolheu


Foi uma viagem que valeu muito a pena pelas paisagens e pelas noites no Cheers. O ponto fraco foi a hospedagem, a despeito da atenção dos funcionários, só recomendo a Pousada como forma de hospedagem de baixo custo.
Ficou a vontade de voltar para conhecer as outras cachoeiras fora da trilha e fotografar as outras paisagens da cidade.
O difícil aqui foi acertar o nome de cada uma das cachoeiras nas fotos...

Novamente obrigado ao amigo Mário Camilo de Souza pela dica do roteiro.

Dicas para este roteiro:
ATENÇÃO para comprar o ingresso ante de chegar ao Parque.
O calor,  umidade e a trilha íngreme aumentam a necessidade de consumo de líquidos. Lanche de trilha embora não necessário, facilita a permanência por mais tempo nela.
Bastão de caminhada é uma boa opção para se vencer os trechos mais íngremes e de pedras
Leve uma toalha de alta absorção (uso uma Tek Towel da Sea to Summit). Facilitará se manter seco bem como seu equipamento fotográfico, já que há uma tendência do spray das cachoeiras molharem as câmeras..

Informações de contato:
Cheers Irish pub - R. Miguel Lener 29, Corupá - SC, tel (47) 3375-3624
http://www.portaldascachoeiras.com/roteiro/26/Rota-Das-Cachoeiras-Em-Corupa-SC (para se ter idéia das cachoeiras)
Pousada Vila ecológica - Av. Getúlio Vargas 839, Corupá - SC. tel. (47) 3375-2676 / (47) 91992340



domingo, 21 de junho de 2015

Pirenópolis - GO 2- A Cidade de Pedra

Na manhã seguinte (16 de maio) acordei muito mais cedo do que esperava, um grupo de hóspedes da pousada que havia declarado que iriam sair as 5:30 da manhã acordaram todos com uma grande algazarra antes das 5. 
Problemas a parte arrumei meu equipamento tomei café, ainda pegando algumas frutas conforme oferecimento dos donos da pousada para reforçar o lanche de trilha.
Segui para o portal da cidade para encontrar o guia.
Seguimos de carro para a cidade de Pedra pela estrada pela qual vim, em direção a Brasília, entrando em Cocalzinho de Goiás. Tomamos uma estrada de terra de razoável trafegabilidade, de onde se vê os picos da Serra dos Pirineus.O total do trajeto foi de 50 km, sendo 18 km de terra.





Aparecem aí também vários tipos de pássaros como Tucanos-toco, carcarás e siriemas entre outros.





Realmente a partir de um certo ponto o carro baixo e com tração em duas rodas passa a ter dificuldades, pois a estrada se torna mais esburacada e com voçorocas. Isso impôs que aumentássemos o trajeto a pé mas não foi impeditivo.
Seguimos pela estrada em leve aclive, que se transforma em uma trilha inicialmente de saibro e com grande quantidade de pedras e cristais de quartzo (transparentes, leitosos e fumê) evoluindo para um terreno arenoso bem claro. Neste piso pode-se ver as pegadas de vários animais como veados, raposas e lobos-guará.
Encontramos aí formigas do grupo das tucandeiras conhecidas na região como Cabo Verde, cuja mordida é extremamente dolorosa. Cuidado ao encontrá-las.



Pouco depois começamos a ver as primeiras pedras primeiro esparsas mas depois ficando mais frequentes até um local que o guia denominou portal.






Após este portal aumenta imensamente o número de pedras e a trilha some em definitivo, reclamada pelo cerrado.
Sobre este assunto por mais que se abra uma trilha ela é fechada de tempos em tempos pela ação da natureza. O cerrado tem uma imensa capacidade regenerativa, apesar dos incêndios anuais e da ação esparsa do homem. Minha mochila voltou cheia de fuligem da passagem por árvores que foram queimadas e cresceram de novo.
Estes fatos fazem com que seja muito difícil e até contra-indicado ir a Cidade de Pedra sem um guia. Não aconselho para quem não tem conhecimentos em navegação por mapa e ou GPS.
Outra dica importante é o uso do bastão de caminhada nórdica pois ajuda em uma trilha não demarcada com aclives e declives, bem como caso se encontre animais silvestres principalmente cobras (e elas existem na região).
Voltando ao passeio passamos por ravinas, desfiladeiros e grandes anfiteatros de pedras com um imenso número de formas que convidam a imaginação a compará-las a pessoas, animais etc.


















Existem pelo menos dois mirantes de onde se pode observar a grande distância as formações.

O que chamei de anfiteatro visto de um dos mirantes
Uma característica que gostei bastante foi como as pedras se empilham formando colunas as vezes com equilíbrios absurdos.










As paisagens variaram bastante passando também por campos e áreas de vegetação mais densa.

campo de capim meloso. Sua resina grudou em toda minha roupa e equipamento
Nem só de pedras este passeio foi composto. O cerrado é um ambiente exuberante e aqui foi o grande diferencial de meu guia, um verdadeiro mateiro. O Cristiano mostrou um grande conhecimento das plantas e outros detalhes do cerrado, tinha também um grande interesse pelo potencial medicinal das plantas do cerrado. Foi o ideal para o passeio.


Obs: No exército o nome mateiro é atribuído a pessoas que sejam de um determinado local e tem grande conhecimento do terreno, fauna e flora, como por exemplo na Amazônia. São por natureza os guias escolhidos.
Estrela do cerrado. Uma das bromélias de solo

Chama de Cristo





Retornamos ao carro, fechando um circuito de aproximadamente 10 km realizado em 4 horas. Sobre esta caminhada, ela é longa e fora de trilha marcada mas infinitamente mais leve que a trilha do Circuito das cachoeiras em Corupá - SC ou a Trilha do rio Betari no PETAR - SP. É seca e com aclives e declives medianamente pronunciados. Algum cuidado com pedras soltas é necessário.
A Cidade de pedra é até aqui o mais bonito conjunto de pedras (não se levando em consideração canions) que já conheci no Brasil, e também o mais extenso, superando em muito Vila Velha - PR e o Guartelá - PR. Valeu a pena ter ido.
Retornei a cidade para deixar o guia. Almocei em um Café e retornei ao hotel. A noite jantei na Rua do Rosário no Rosário 26, serviam comida árabe. Os pratos eram pequenos mas saborosos.
Planejei conhecer algumas da cachoeiras no dia seguinte.

Dicas para este roteiro:
Não fazer sem guia!
Bastão de caminhada fortemente recomendado para equílíbrio e sondagem da trilha.
Levar água e lanche de trilha. O tempo seco desta época do ano e a duração da caminhada tornam estes ítens imprescindíveis.
Protetor solar, chapéu e óculos escuros são necessários, a caminhada é feita sob o sol o tempo todo.
Repelente de insetos é conveniente também,

Informações de contato:
Guia (Cristiano) - (62)  9142-4104 , (62) 8420-2901
Pousada Aconchego dos Pireneus - (62) 3331-2513. Rua Campos Verdes, quadra 07, lote02 s/n - Park Jardim Brasília